Medicina Veterinária e a nova tendência de alimentação natural para pets

    Introdução

    Ter uma alimentação saudável sempre foi importante, mas de uns tempos para cá passou a ser um assunto mais presente no nosso dia a dia. Os benefícios de “comer direito” são inúmeros, e assim como para nós, também beneficia nossos amigos peludinhos!

    A alimentação natural para pets ou AN, como também é chamada, é bem comum em países da Europa e nos Estados Unidos, mas no Brasil, chegou como novidade e virou tendência há pouco tempo.

    Esse tipo de refeição pode ajudar de diversas formas o seu animalzinho, e se você é veterinário, pretende fazer um curso de medicina veterinária ou está em busca de informações para começar a introduzir o método na vida do seu “bichíneo”, chegou ao lugar certo!

    Então bora saber mais sobre como alimentar o seu amigo de peito utilizando essa prática?

    Por que a alimentação natural para pets virou tendência?

    Esse assunto parece ser uma revolução no mercado dos animais domésticos, mas se pararmos para pensar um pouco, a alimentação industrializada seca não existe há tanto tempo assim. Na verdade, a AN é mais um retorno às raízes do que uma novidade.

    A grande questão é: a ração seca, em sua grande maioria é produzida a base de grãos transgênicos, que não fazem bem nem para nós, imagine para eles que tem o organismo bem mais sensível?

    Outro ponto é o fato de alguns animais terem necessidades nutritivas diferenciadas devido a algum problema de saúde congênito. Nesse caso, dificilmente você conseguirá encontrar alimentos industrializados que atendam a essas carências específicas.

    É aí que entra uma grande vantagem da AN: suprir tais carências por meio de alimentos naturais. Vamos entender um pouco mais sobre ela?

    Como funciona a AN?

    A alimentação natural para pets nada mais é que fazer a transição entre a ração seca, para alimentos naturais, frescos e de boa qualidade. Mas veja bem, não é para pegar o resto do seu almoço e oferecer para o bichinho não, tá?

    Seres humanos e animais têm necessidades nutricionais completamente diferentes. Além disso, muitos alimentos que consumimos no nosso dia a dia são tóxicos para os pets, ou seja, cada detalhe é importante e nada deve ser feito por conta própria.

    Para passar a oferecer alimentos naturais para o seu amiguinho, como miúdos, carnes e legumes, é imprescindível que ele vá em uma consulta com o veterinário e esteja com a saúde em dia.

    Depois desse check up, o próprio vet poderá indicar o que precisa estar presente nas refeições, como preparar, como definir o tamanho das porções, enfim, te ensinar todo o passo a passo.

    Mudar a dieta do seu animalzinho não é brincadeira. Tem que ser tudo feito da maneira correta para não acarretar em problemas e até na desnutrição. Então respeite as orientações médicas e siga à risca para não prejudicar seu peludinho!

    Que tipos de dietas existem?

    Existem três tipos de AN: a cozida, a crua com osso e a crua sem osso.

    Alimentação natural cozida:

    É a mais indicada, já que os ingredientes passam por fervura e garantem a segurança alimentar. Ela também não inclui ossos, mas fique tranquilo; o cálcio pode ser fornecido de outras maneiras, portanto, a ausência dele não torna a dieta menos balanceada ou deficiente.

    Se você tem problemas em ver seu animalzinho se alimentando em meio a ossos, vísceras e pedaços de carne crus, essa pode ser a melhor opção para você também. Ela normalmente é recomendada para animais que possuam o sistema gastrintestinal sensível e esporadicamente apresentem vômitos ou diarreias.

    Alimentação natural crua com ossos:

    Esse modelo é inspirado no BARF (Biologically Appropriate Raw Food; do inglês, Comida Crua Biologicamente Apropriada). Ele foi desenvolvido pelo veterinário australiano Ian Billighurst nos anos 80 com o intuito de imitar a dieta natural dos lobos, parentes dos cães.

    Ela tem sua adaptação para felinos e é basicamente carnívora, totalmente crua e com poucos legumes crus processados no liquidificador. De início pode ser um pouco desconfortável de ver, mas pode oferecer muitos benefícios aos seus animais.

    O objetivo dessa dieta é simular a composição de uma presa no contexto urbano (rato ou ave por exemplo). Para isso entram na dieta ossos (o esqueleto da presa), carnes (músculo), vísceras (miúdos, órgãos) e alguns complementos que imitam partes do corpo que não conseguimos oferecer.

    Alimentação natural crua sem ossos:

    Essa é a mais prática e barata de ser preparada, pois consiste em oferecer carnes e vísceras cruas com vegetais e carboidratos cozidos (e triturados, no caso dos gatos).

    Assim como as outras, será necessário aprender a dosar as porções, mas ela evita o desconforto visual de oferecer ossos para os animais.

    Ela também é uma dieta carnívora, e mesmo sem os ossos, o cálcio e colágeno podem ser oferecidos de outras formas, como com o caldo de cartilagem caseiro e a gelatina sem sabor.

    Lembrando que todas as dietas podem ser feitas em porções individuais e congeladas. Assim você prepara tudo de uma vez e vai liberando aos poucos para o bichinho.

    Ah, e elas podem ser consumidas congeladas, em temperatura ambiente ou aquecidas, de acordo com as preferências do seu pet.

    Quais as vantagens e dificuldades de aderir a alguma dessas dietas?

    Elas trazem muitos benefícios, mas com eles algumas responsabilidades.

    Como vantagens de aderir a elas, apresentam-se:

    • Proteção ao sistema urinário e rins
    • Fezes reduzidas, muito mais sequinhas e com odor discreto
    • Carga glicêmica menor
    • Minimização de transtornos causados por uma dieta inadequada
    • Chega de brigar para o pet comer
    • Contribui para a saúde periodontal

    Das dificuldades apresentadas aparecem:

    • Exige organização e disciplina
    • O animal parece ter fome o tempo todo
    • Alguns cães ou gatos podem não aceitar mais a ração
    • É necessário ter disponibilidade de espaço no freezer ou congelador
    • Nem todos os veterinários oferecem suporte para esse tipo de alimentação
    • Precisará lidar com a sujeira nas barbas, bigodes e orelhas caídas
    • Se tiver mais de um gato ou cachorro, será necessário alimentá-los separadamente

    Devo aderir a essa prática?

    Essa é uma pergunta delicada. Apesar de ser mais saudável para o seu animalzinho e evitar doenças que ele possa vir a desenvolver pelo consumo constante de ração, ela tem algumas exigências que precisam ser colocadas em pauta antes de qualquer decisão:

    1. Eu tenho um veterinário de confiança e que entenda sobre AN para me passar uma dieta balanceada, montar um cardápio nutritivo para cada um dos meus pets e observando as necessidades específicas deles?
    2. Eu tenho tempo e dinheiro à dispor para comprar e preparar a alimentação completa, sem deixar que algo falte para o meu peludinho e ele acabe desenvolvendo alguma doença ou desnutrição?
    3. Estou disposto a me dedicar a essas tarefas todos os dias se necessário?

    Mudar a dieta do seu amiguinho não é brincadeira. Fazer isso do jeito certo é imprescindível para manter a saúde dele em dia. Então se você respondeu alguma coisa diferente de sim para qualquer uma das 3 perguntas acima, é melhor manter a ração para não acarretar em problemas, ok?

    Tem oportunidade na área!

    Para quem ama os animais, ser veterinário é mais do que uma profissão, é quase uma terapia. Com todo o investimento nesse setor, e novas áreas de atuação surgindo, oportunidade é o que não falta para quem se forma em Medicina Veterinária.

    A área de nutrição e de tratamentos alternativos para os animais estão em alta. Se apresentam como campos super bacanas, visto que poucos veterinários trabalham com isso.

    Dependendo do local que você pretenda atuar, se focar nessas especializações, pode te tornar pioneiro e bastante procurado, o que com certeza contribuirá para o seu sucesso profissional.

    Pense a respeito, entre na faculdade buscando o foco que pretende ter e cursos voltados para ele, dessa forma, o mercado de trabalho irá se abrir com menos dificuldade e com mais agilidade!

    Esperamos que esse texto tenha te ajudado a enxergar uma nova face da profissão, inspirado a fazer a sua matrícula no curso de Medicina Veterinária e em seguir essa carreira!

    Até a próxima!

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