História da MPB: Entenda mais sobre o estilo musical que resistiu e se transformou junto com o Brasil.

Introdução

Ser brasileiro e nunca ter ouvido uma música sequer de Caetano, Gilberto, Elis ou Chico é quase impossível. Esses são nomes muito conhecidos do meio musical brasileiro e que com certeza deixaram e ainda deixam uma marca muito positiva e histórica no país com a MPB.

Quando se fala em música popular brasileira podemos englobar muita coisa nesse balaio. Do samba de raiz ao forró, todos os ritmos regionais podem ser definidos neste termo, mas a sigla MPB, apesar de ter o mesmo nome composto, possui significado diferente e é símbolo de resistência até hoje.

Se você pretende iniciar sua graduação em um curso de música ou é um simpatizante do meio musical, adora saber mais sobre esse assunto, quer entender sobre a importância desse gênero para as nossas raízes e nossa história, é só continuar a leitura! :)

De onde surgiu esse estilo musical?

Para entendermos o contexto todo do surgimento desse novo estilo musical, temos que voltar em meados dos séculos XVIII e XIX, quando o que “bombava” nas cidades eram os ritmos Lundu e a Modinha.

Enquanto o Lundu, de origem africana apresenta uma pegada mais sensual, rítmica e dançante, a Modinha que é um ritmo português, traz um sentimento melancólico enquanto fala de amor numa batida calma e erudita.

Esses dois estilos junto da dança de salão européia, agora já entre o século XIX e XX, influenciaram no surgimento do Choro ou Chorinho, da Polca e do Maxixe. Da influência deles, das rodas de capoeira, batuques africanos e músicas de orixás, por volta da década de 20, nos morros e cortiços do Rio de Janeiro começa a surgir o Samba.

Já na era do rádio, na década de 50, que revelou grandes nomes do samba como Cartola e Dalva de Oliveira, surgiu um movimento musical chamado Bossa Nova, que buscava demonstrar o cotidiano local, em especial o carioca, e apresentava um ritmo suave e sofisticado.

Quando chegamos na Bossa, podemos dizer que essa foi a mãe do ritmo MPB. Ela começou com reuniões na zona sul do Rio, onde morava Nara Leão. Nesses encontros e na composição das músicas, estavam grandes nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Roberto Menescal.

Nessa primeira fase de Bossa Nova, esse estilo musical possuía influência do jazz estadunidense e da música erudita, o que trouxe uma pegada suave de música ao Rio de Janeiro, em contraste com as fortes vozes do samba do morro. Essa primeira fase da Bossa deu vida a sucessos como Garota de Ipanema e Chega de Saudade.

O fato de trazer certa sofisticação ao “novo samba”, agora mais suave e com influências externas, não agradou ao movimento da União Nacional dos Estudantes (UNE), o Centro de Cultura Popular Brasileira, que defendia a volta às raízes brasileiras da música e exclusão de influências externas. A partir daí iniciou-se a segunda geração da Bossa Nova com artistas como Edu Lobo, Francis Hime e Vinicius de Moraes.

Alguns artistas não quiseram assumir um lado ou outro dessa divisão, e essa foi a porta de entrada da MPB. Ao se decidirem por não assumir lados, resolveram então criar um novo estilo, que tivesse a influência de ambas as gerações da Bossa na criação de uma nova música brasileira. Nesse momento ainda era chamada de MPM - Música Popular Moderna, e tem marco inicial com a apresentação de Elis Regina interpretando Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, vencedora do primeiro Festival de Música Popular Brasileira em 1965.

A partir desse momento, a MPM passa a se desenvolver, a ganhar novos adeptos como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e toda a galerinha do famoso clube da esquina lá de Belo Horizonte e se uniu ao Rio de Janeiro, dando novo caráter a esse estilo, que por volta de 1970 passa a ser reconhecido como MPB, um movimento musical forte, que também era intitulado como a música das universidades e visto como forma de luta contra a repressão sofrida no país no período da ditadura militar.

Quais foram seus principais influenciadores?

Como você pode ver, esse gênero musical teve influência de diversos compositores e intérpretes brasileiros. O movimento estourou em um período obscuro no nosso país, durante o golpe de 64, quando o Brasil foi gerido por militares, passou por muita repressão e ainda deixa marcas tristes em muitas famílias e em nossa história.

Por conta disso, muitos dos principais nomes desse estilo musical que teve como marca a resistência às atrocidades e crimes cometidos na época, precisaram se exilar em outros países, para não sofrerem as pesadas consequências aplicadas a quem se opusesse ao governo da época.

Mesmo assim, essas pessoas deixaram sua marca e são reconhecidas pela grande participação nesse momento histórico do país. Os 10 principais compositores e intérpretes que influenciaram nesse movimento musical foram:

  1. Elis Regina
  2. Milton Nascimento
  3. Caetano Veloso
  4. Maria Bethânia
  5. Gal Costa
  6. Gilberto Gil
  7. Chico Buarque
  8. Vinicius de Moraes
  9. Geraldo Vandré
  10. Djavan

Qual a importância desse estilo musical na história do Brasil?

Esse movimento surgiu em meio ao turbilhão de acontecimentos da decada de 60. Em meio a tantas injustiças e vetos nas formas de expressão, a MPB surge levantando uma bandeira de protesto e exibindo a iniquidade daquele governo de forma subentendida nas letras, se tornando uma das maiores formas de resposta a esses bloqueios.

Quem também foi muito responsável pela disseminação dessas mensagens e desse estilo musical foi a tv, em especial a TV Excelsior, que produziu o festival de música que revelou a MPB. Devido ao seu posicionamento político sofreu perseguição e foi se definhando até fechar. Frente a isso, a Globo e a Record assumiram sua posição de resistência.

Vendo a brecha deixada para protestos, em novembro de 1968, o atual governo sancionou um Ato Institucional - AI 5 - que estabelecia censura prévia à música. Com isso, os festivais de música acabaram por deixar de existir, muitas músicas passaram a ser vetadas e cantores, artistas e poetas começam a sofrer com represálias, prisão e tortura. Dessa forma, assim que possível, muitos deles fugiram e se exilaram em outros países.

Mesmo com esses impedimentos, consolidados na música popular brasileira com uma obra que exibia as marcas de sua época, os cantores e compositores agora já exilados, aproveitaram o exterior para lançarem internacionalmente suas músicas. Quando voltaram, entre 1971 e 1979, ano em que foi sancionada a lei da anistia, continuaram a gravar suas impressões daquele mundo e dos seus valores.

A título de curiosidade e para análise pessoal das letras compostas nesse período, abaixo vamos listar algumas das músicas que mais refletiam o sentimento da época. O álbum Panis et Circenses, de Caetano Veloso e Gilberto Gil com Os Mutantes é inteiro um ícone desse período. Confira algumas das composições:

  1. Carcará (1965) – Nara Leão
  2. Pra não dizer que não falei das flores (1968) – Geraldo Vandré
  3. Panis Et Circencis (1968) - Os Mutantes
  4. É Proibido Proibir (1968) – Caetano Veloso
  5. Tropicália (1969) - Caetano Veloso
  6. Sinal fechado (1969) – Paulinho da Viola
  7. Apesar de você ( 1970) – Chico Buarque
  8. BR-3 (1970) – Antônio Adolfo e Tibério Gaspar
  9. Vapor barato (1971) – Jards Macalé e Wally Salomão
  10. Jorge Maravilha (1973) – Chico Buarque
  11. Como nossos pais ( 1976) – Belchior
  12. Cálice (1978) – Gilberto Gil e Chico Buarque
  13. Tô voltando (1979) – Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro
  14. Angélica (1982) – Chico Buarque

Um ato de expressão e resistência!

A música sempre teve o caráter principal de expressar sentimentos pelas palavras, ritmos e melodias, tornando sentimentos mais palpáveis, quase uma forma de empatia. Nesse sentido, podemos ver como a MPB foi poderosa e conseguiu transmitir a emoção, fazer denúncias e contar histórias através do tempo.

Sabendo disso e tendo a fonte de algumas das músicas compostas nesse período, pesquisar sobre a história de composição de cada uma delas poderá te levar a reviver e a entender melhor essa fase agitada de nossa história.

Uma super série que foi transmitida e produzida há pouco tempo pela Rede Globo, chamada “Os dias eram assim”, mesmo com o romance de novela, mostra bem a realidade da época, mas cuidado, ela possui cenas fortes e é recomendada para maiores. Sua própria trilha musical tem dicas de músicas que refletem essa época.  

Bom, esperamos que esse material tenha sido bastante esclarecedor e tenha ajudado você a entender a importância desse ritmo musical, sua influência num período histórico recente do Brasil e tenha despertado em você a vontade de se aprofundar no estudo da música.

Qualquer dúvida ou questionamento, não deixe de nos falar no box de comentários e se gostou deste material, não esqueça de compartilhar com seus amigos!

Até a próxima!

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