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Visita técnica: Entre o Belo, o Grotesco e a Natureza: uma Imersão Arquitetônica em Inhotim

Alunos de Arquitetura e Urbanismo do Grupo Unis visitam o maior museu a céu aberto do mundo.

 

 

A arquitetura, quando confinada aos livros, é teoria. Mas quando vivenciada em escala real, sob o sol e envolta pela paisagem natural, ela se torna provocação. Foi exatamente essa a premissa que guiou os estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Grupo Educacional Unis e o intercambista proveniente do México, Alek Odell, no último dia 16 de setembro de 2026. Em uma visita técnica multidisciplinar, os estudantes desembarcaram no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), para uma aula prática que transformou galerias e jardins botânicos em um vasto laboratório de reflexão espacial.

 

O que é o Inhotim?

 

Para compreender a magnitude da visita, é preciso antes entender o palco. Localizado a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, o Instituto Inhotim não é um museu convencional. Trata-se do maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo e, simultaneamente, um jardim botânico de proporções monumentais.

 

Lá, obras de arte de proporções gigantescas não estão presas em salas brancas estéreis; elas dialogam diretamente com a topografia, a luz natural e a vegetação. Para a arquitetura, Inhotim é um estudo de caso contínuo sobre como criar pavilhões e galerias que não apenas abriguem a arte, mas que façam parte dela, mimetizando-se ou contrastando intencionalmente com o meio ambiente.

 

O Belo, o Feio e o Grotesco: A Lente da Estética

 

A expedição acadêmica foi ancorada por dois pilares fundamentais do curso. O primeiro deles, a disciplina de Estética na Arquitetura, foi conduzido in loco pela coordenadora e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Grupo Unis, Andreia Heloise.

 

Caminhando entre as galerias, os alunos foram desafiados a desconstruírem o senso comum do que é visualmente agradável. Andreia propôs um debate profundo sobre a teoria do belo, do feio e do grotesco na arte e no espaço construído.

 

"A arquitetura não tem o dever de ser apenas confortável aos olhos. Ela precisa comunicar, tensionar e, muitas vezes, confrontar quem a experimenta", provocou a professora durante a análise das obras.

 

Em Inhotim, o grotesco e o feio não são falhas de design, mas sim ferramentas estéticas poderosas. Obras que evocam decomposição, assimetria extrema ou materiais brutos e desgastados pelo tempo (como aço corten oxidado) forçaram os alunos a entender que a beleza arquitetônica também reside na capacidade de causar impacto, repulsa ou curiosidade, rompendo com o purismo formal.

 

A Identidade da Arquitetura Brasileira

 

O segundo pilar ficou a cargo do professor Edwalto de Lima Junior, guiando a turma pelos preceitos da Arquitetura Brasileira. O Inhotim é uma vitrine brilhante da produção arquitetônica nacional, com pavilhões assinados por escritórios renomados que traduzem perfeitamente o "fazer arquitetônico" do Brasil.

 

O professor Edwalto destacou como os edifícios do parque resolvem problemas tipicamente tropicais. Os alunos puderam observar de perto:

 

A fluidez entre o interior e o exterior: Como o uso inteligente de brises, muxarabis e grandes vãos livres permite a ventilação natural e a iluminação difusa.

 

O respeito à topografia: A maneira como as fundações das galerias parecem "flutuar" sobre o terreno acidentado de Minas Gerais, evitando grandes cortes na terra.

 

A materialidade nacional: O uso do concreto armado, pedra, madeira nativa e espelhos d'água que remetem ao modernismo brasileiro, mas com uma linguagem estritamente contemporânea.

 

O professor ressaltou que a arquitetura brasileira no Inhotim não tenta dominar a natureza, mas sim estabelecer um acordo pacífico e poético com ela, uma lição fundamental para os futuros profissionais do Unis.

 

O Espaço como Sala de Aula

 

Quando o dia chegou ao fim e os ônibus iniciaram o caminho de volta, a bagagem dos estudantes estava visivelmente mais pesada — não de anotações, mas de repertório visual e crítico.

 

A visita técnica a Brumadinho cumpriu seu papel de excelência acadêmica: tirar o conhecimento do papel e colocá-lo à prova na vida real. Sob a orientação de seus professores, os alunos do Grupo Educacional Unis não apenas viram concreto, aço e arte; eles aprenderam a ler os silêncios, os ruídos e as emoções que só a verdadeira arquitetura consegue construir.