Pelo terceiro mês consecutivo, o Indicador de Dinâmica Produtiva (IdP) apresentou resultados diferentes nos âmbitos nacional e estadual. Enquanto a nível Brasil ocorreu uma queda, no estado de Minas Gerais houve crescimento no mês de agosto.
O IdP consiste em um indicador conjuntural calculado mensalmente pelo Grupo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (GESEc) do Instituto Federal do Sul de Minas (Campi Carmo de Minas e Machado), em parceria com o Núcleo de Extensão, Pesquisa e Internacionalização do Grupo UNIS e o GEESUL.
Para a realização dos cálculos são utilizados os seguintes dados do IBGE: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), Pesquisa Industrial Mensal (PIM), Pesquisa Mensal do Comércio Varejista Ampliado (PMC) e Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), todos divulgados com dois meses de defasagem.
O IdP nacional teve queda de -0,32% em agosto, após apresentar alta de 0,26% no mês de julho. Todos os setores apresentaram recuo, com destaque para o agrícola, cujo resultado foi -1,01%. A indústria caiu -0,59% após a recuperação observada no mês anterior. No agregado, comércio e serviços decresceram -0,16%, com os serviços novamente ficando estáveis (-0,07%) e o comércio varejista ampliado demonstrou queda de -0,25%. Comparando a dinâmica produtiva de agosto de 2026 com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 0,12%.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB nacional, apresentou alta de 0,3% no mês de agosto em comparação com julho. Em relação a agosto de 2025, o IBC-Br indicou elevação de 1,2%. Ambos os resultados foram bastante divergentes em relação ao que foi apurado pelo IdP.
No estado de Minas Gerais, houve uma expansão de 0,56% em agosto, após a leve queda de -0,03% ocorrida em julho. O principal destaque foi comércio e serviços que cresceram 0,91% no agregado, com os serviços avançando 0,82% e o comércio varejista ampliado 1,01%. O setor agrícola teve crescimento de 0,12%. Já a indústria ficou estável com o resultado de -0,01%.
O professor Pedro Portugal, que coordena a pesquisa, afirmou que a previsão realizada no último relatório, de que os resultados deveriam ficar no campo negativo, se confirmou apenas para a realidade nacional. Segundo professor “as alternâncias de comportamento na dinâmica econômica brasileira e mineira têm se apresentado de forma constante nestes últimos meses. Ficou evidenciada que a única convergência ocorrida nos dois entes federativos foi o enfraquecimento nos resultados da indústria, o que pode ser explicado pela alta taxa de juros e o endividamento das empresas”.
“Para o mês de setembro, nossas perspectivas apontam para possíveis resultados ainda no campo negativo, tendo em vista a manutenção de fatores que desfavorecem a expansão da dinâmica econômica, especialmente o alto custo do crédito” afirmam os pesquisadores responsáveis pelo levantamento.