Introdução

Sabe aquela frase que diz “é melhor prevenir do que remediar”? Então, por um triz ela não foi inspirada na questão da ergonomia no trabalho! Rsrs

A gente brinca, mas no fundo tá falando a verdade. Você sabe que no dia a dia do trabalho, independentemente do tipo de tarefas que você realiza, se não utilizarmos de práticas da ergonomia, ficamos completamente suscetíveis a adquirir problemas de saúde.

E se você quer entender um pouco mais sobre esse assunto de primeira preocupação, seja tanto em empresas quanto fora delas, fique coladinho com a gente nesse texto super explicativo! (principalmente se você pretende iniciar ou já está no curso de Fisioterapia!).

Mas o que é ergonomia?

Para explicar esse termo, vamos utilizar de uma frase do engenheiro e doutor em ergonomia Laerte Idal Sznelwar –  “Seu objetivo central é adaptar o trabalho ao ser humano, evitando que ocorra o contrário” – Ou seja, é uma forma de fazer com que o seu corpo se adapte a sua tarefa profissional sem sofrer algum dano.

Lembra daquela história da sua mãe, que quando você era criança vivia pegando no seu pé pra sentar direito na cadeira, não deitar de qualquer jeito no sofá, largar um pouco do celular porque pesa o pescoço, e tudo mais que veio na sua mente? Então, ela sabe das coisas. Escute.

E assim, não é só porque ela é sua mãe, mas a experiência de vida dela a deu esse conhecimento. Agora, se você ainda é um mero mortal, sem habilidades de mãe, também pode ficar tranquilo, você pode aprender mais e até trabalhar com ergonomia, ajudando outras pessoas ao se graduar em Fisioterapia e se especializando no assunto!

Onde ela pode ser encontrada no nosso cotidiano?

Quando falamos em ergonomia, algumas vezes ficamos presos a posições e formas de realizar uma determinada tarefa. Mas você sabia que não é só isso? Ela também é uma preocupação de engenheiros e designers.

“Mas como assim? Eles se inquietam com isso por quê?” – Veja bem, um produto para se vender, além de ser bonito, tem que facilitar a vida das pessoas. Então eles precisam se atentar com a ergonomia do objeto. Do contrário, já pensou quanto investimento perdido?

Se ainda não conseguiu imaginar quanto dinheiro é perdido nisso, pense neste exemplo: idealize um objeto x, e pense que depois que as pessoas começaram a usá-lo, viram que a posição dele tem causado dores nas mãos ou nas costas… conseguiu ver quanto dinheiro por água abaixo?

Agora que você clareou as ideias nesse assunto, bora saber alguns produtos que você usa no dia a dia e são ergonomicamente pensados?

  1. Suporte de monitor: permite olhar para a tela mantendo o pescoço em sua posição natural;
  2. Apoio para pés: mantém os pés em posição confortável caso a mesa não tenha regulagem de altura;
  3. Teclado: modelos com teclas que amorteçam os dedos e tenham posicionamento correto evitam lesões;
  4. Cadeira ergonômica: o encosto ajustável adequa-se à curvatura lombar, evitando lesões nas costas. A mola na base ajuda a evitar impactos na coluna, o ajuste de altura permite  manter a curvatura do joelho em 90 graus, o que auxilia na circulação sanguínea.

Além do ambiente de trabalho, a ergonomia é muito vista e utilizada nas academias (na execução correta dos movimentos), em hospitais (no posicionamento dos pacientes e acompanhantes nas acomodações do recinto), nas empresas (por meio de exercícios de relaxamento corporal, movimentação certa e uso de equipamentos ergonômicos) e muitos outros lugares.

Por que é tão importante ter ergonomia no ambiente de trabalho?

A gente tem a péssima mania de pensar só no agora e esquecer que o futuro existe, e chega até a gente cobrando com juros de tudo o que exageramos lá atrás, não é verdade? No trabalho não é diferente.

Nosso corpo é feito de uma forma específica para aguentar muita coisa. Mas quando extrapolamos, os resultados vem aos poucos, chegam e derrubam a gente. Com isso, não só a gente sofre, mas o patrão também, que fica sem funcionário e precisa contratar alguém extra ou sobrecarregar outro colega.

Por isso, o próprio Ministério do Trabalho cobra uma Norma Reguladora, a NR17, que orienta que toda empresa tenha uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Nesse documento, o profissional fisioterapeuta responsável indica as melhorias que devem ser feitas para que o local atenda às condições mínimas de ergonomia.

Parece besteira, mas o simples ato de parar, pelo menos de hora em hora, e alongar as mãos e braços, pode evitar uma LER – Lesão por Esforço Repetitivo ou uma tendinite. O que ajuda a economizar tempo, saúde e dinheiro num futuro próximo.

E se existe prevenção, para que dar chance ao azar, não é mesmo? E só para te mostrar como as pequenas atitudes podem ser eficientes, confira aqui embaixo no que essas práticas fisioterapêuticas podem ajudar em uma empresa:

  1. Redução do número de afastamentos e ausências: a ergonomia reduz o número de afastamentos por problemas de saúde e acidentes de trabalho, uma vez que é responsável pelo bem estar dos funcionários;
  2. Diminuição de desperdício: a garantia de saúde e bem estar no trabalho proporcionados por  técnicas ergonômicas, favorecem na diminuição do desperdício de matéria prima, já que um ambiente laboral saudável assegura trabalhadores motivados e atentos à tarefa exercida;   
  3. Melhoria na qualidade de vida: através de exercícios e métodos, há redução de riscos de acidentes e aquisição de enfermidades pelos funcionários;
  4. Valorização profissional:  proporciona sentimento de valorização profissional por parte dos colaboradores. Quando elas recebem suporte para exercerem suas funções, surge a sensação de reconhecimento que influencia em sua permanência e eficiência na empresa.   
  5. Produtividade: a redução no número de ausências reflete diretamente nos resultados da empresa, que entrega os pedidos dentro do prazo estipulado. O que acarreta em satisfação do cliente,  resultando em mais pedidos e oportunidades de produção para a empresa.

Para o profissional, praticar os exercícios sugeridos e ser munido de equipamentos ergonômicos, resulta em nada mais, nada menos do que saúde, disposição e satisfação.

O que devo fazer para manter minha saúde em dia no meu trabalho?

Se a sua empresa ainda não oferece essas condições, cobre do responsável uma ajuda com profissional bem formado em fisioterapia e de preferência especializado em ergonomia. Isso é algo que vai demandar um pouco de tempo e investimento por parte da empresa.

De qualquer forma, aqui embaixo vamos deixar alguns exercícios que podem ajudar (lembrando que eles não eximem a análise de um profissional qualificado para indicar qual é melhor para o seu caso):

  1. Alongamento do punho e antebraço: entrelace os dedos com as palmas das mãos voltadas para fora, e estique os braços. Segure por 10 segundos e repita cinco vezes. Dica: Uma boa maneira de evitar o desconforto de pulso é reduzir o uso do mouse, aprendendo os atalhos do teclado;
  2. Mãos e dedos: coloque um pequeno e forte elástico, em torno das extremidades dos dedos, excluindo o polegar. Separe e estique os dedos por 10 segundos e alterne entre as mãos. Repita até cinco vezes.
  3. Alongamento giratório: ao sentar-se em sua cadeira com os pés apoiados no chão, gire o tronco para um lado e coloque as mãos na parte traseira de sua cadeira. Mantenha a posição por 10-20 segundos. Gire lentamente de volta à posição inicial e repita na direção oposta;
  4. Ombros: levante os ombros em direção às orelhas. Segure, e depois relaxar para baixo, para uma posição normal. Repita 10 vezes.
  5. Pescoço: abaixe sua cabeça posicionando seu queixo para baixo e vire para o lado direito para que sua orelha fique acima do ombro. Segure por 15 segundos e, em seguida, retorne ao centro. Repita para o lado esquerdo.
  6. Exercício de resistência para o pescoço: entrelace as mãos atrás da cabeça e pressione a cabeça para trás, resistindo com as mãos. Segure por 15 segundos e repita.

A dica é sempre fazer intervalos de pelo menos 5-10 minutos a cada hora trabalhada. Caminhe pelo escritório, beba um pouco de água ou faça outros trabalhos para exercitar músculos diferentes.

Para o desconforto ocular, é bacana a cada 20 minutos, mudar o foco dos seus olhos para longe de telas digitais independentemente de qual tipo delas estivermos falando. Tire uns minutinhos para olhar para longe, uma paisagem na janela, ou objeto. Isso ajuda a descansar a vista.

O que você está evitando com isso? Confira aqui embaixo a listinha das 8 principais dificuldades desenvolvidas por falta de ergonomia no trabalho:

  1. Hérnia de disco: os discos intervertebrais desgastam-se com o tempo e o uso repetitivo, o que facilita a formação de hérnias de disco, ou seja, parte deles sai da posição normal e comprime as raízes nervosas que emergem da coluna. O problema é mais freqüente nas regiões lombar e cervical;
  2. Dor nas costas: queixa muito comum, chamada também de lombalgia é uma dor que ocorre na parte inferior da coluna vertebral (coluna lombar);
  3. Dor ciática: dor persistente ao longo do nervo ciático, que se inicia na região lombar, passa pelas nádegas e vai até a parte mais baixa de uma ou duas pernas. Este é o nervo mais longo do corpo. A dor aparece quando este nervo está irritado através de uma inflamação;
  4. Espondilolistese: escorregamento para frente de uma vértebra em relação a outra seguinte, ocasionando dor ou irritação de raiz nervosa;
  5. Escoliose: uma deformação morfológica da coluna vertebral nos três planos do espaço. Assim, a coluna realmente se torce, não somente para os lados, mas para frente e para trás e em volta do seu próprio eixo. Essa torção em maiores graus determina a gravidade da escoliose e a forma de ser tratada;
  6. Tendinite: inflamação do tendão, uma estrutura fibrosa, como uma corda, que une o músculo ao osso. A inflamação se caracteriza pela presença de dor e inchaço do tendão e pode acontecer em qualquer parte do corpo, mas é mais comum no ombro, cotovelo, punho, joelho e tornozelo;
  7. LER/DORT: LER são os danos causados por movimentos repetitivos e uso excessivo de determinada parte do corpo, que causam lesões em tendões, músculos e articulações. DORT são os ‘Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho’. É uma definição utilizada para caracterizar os danos da LER, porém, causados em ambiente de trabalho;
  8. Tenossinovite: inflamação dos tendões em estágio avançado. O caso pode ser grave, gerando espasmos de dor e uma difícil recuperação, impedindo a pessoa de segurar até mesmo objetos muito leves.

Prevenir é sempre o melhor remédio!

Como você pôde observar, pequenas atitudes podem nos livrar de poucas e boas. Ninguém quer passar dor ou adquirir dores ao longo da vida, então fique atento a esses detalhes e cobre de sua empresa um posicionamento sobre isso.

Ter apoio de um fisioterapeuta qualificado é imprescindível nesse processo. Caso você já tenha desenvolvido algum problema, fale com o seu médico sobre a possibilidade de utilizar tratamentos alternativos como a acupuntura e a moxabustão, que ajudam demais na intervenção médica para cura dessas dores.

Agora, se você é uma pessoa que está em busca de decidir a sua graduação, fique ligado nessas áreas. Elas costumam ter busca constante tanto para evitar estragos quanto para tratar danos já causados.

Se ainda está em dúvida entre Fisioterapia e outro curso, dê uma lida nesse material aqui, ele vai te ajudar a pensar e tomar uma decisão.

Esperamos ter te ajudado e atingido suas expectativas com esse texto. Até a próxima, amigo!